Viver sem tabaco.

Considerado pela Organização Mundial da Saúde a principal causa de morte evitável no mundo, um dos maiores inimigos da saúde, o tabagismo revela-se, do ponto de vista psicológico, como uma dependência, uma necessidade, contudo maléfica.

O impacto negativo não ocorre apenas a nível fisiológico, implica também menor qualidade e esperança de vida, e implicações psicológicas. Bastam poucos segundos para que a nicotina atinja o cérebro, excitando os neurónios, alterando o ritmo e a organização neuronal que decorre das sinapses. Logo, tem uma implicação direta ao nível do sistema nervoso central e da dinâmica cerebral.

Assim, ainda que o cancro do pulmão e a cardiopatia isquémica estejam entre as principais consequências, também as psicológicas são evidentes: há uma alteração do funcionamento geral das funções psicológicas e da organização cerebral que provoca maior agitação, inquietação, irritabilidade, impulsividade, reatividade e instabilidade; assim como menor capacidade de organização ideativa que afeta diretamente a capacidade de tomada de decisão, de atenção e concentração. O desempenho sexual também é afetado negativamente. Há ainda o aumento da ansiedade, a interferência no sono e a maior dificuldade de gerir e lidar com situações de stress, havendo perda da capacidade de controlo.

Ao contrário da falsa imagem, socialmente construída, de que fumar se associa a sucesso, independência e liberdade, fumar aprisiona, torna dependente, alimenta a necessidade.

Quem fuma fá-lo, por vezes, para preencher uma carência, uma necessidade de se sentir aceite, um vazio, que não se consegue preencher de outra forma. Como qualquer outra dependência surge pela presença de um vazio afetivo advindo de necessidades básicas não satisfeitas, a fim de diminuir o sofrimento inerente a esse vazio.

Procurar ajuda profissional para deixar de fumar ajuda a conseguir ultrapassar esse vazio e a desenvolver recursos individuais para recuperar a sua saúde física e mental.

Sílvia Pereira, Dra, 2011 – Publicado no Jornal “Diário de Leiria”

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Sílvia Pereira

Sílvia Pereira, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e Especialista em avaliação psicológica, com um percurso marcado por décadas de prática clínica, investigação e formação contínua, a nível nacional e internacional.

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