Comentários ao artigo. “Ser pais… Um direito muitas vezes negado…”

1) Parabéns a este casal pela coragem, pois realmente não é fácil expor este sofrimento. Esta atitude é de grande ajuda para quem sofre também com este problema e para quem quer ajudar e muitas vezes não sabe o processo pelo qual o casal passa. Por vezes, não é fácil falar, temos a sensação que ninguém nos compreende.

2) Somos também um casal que sofre já há 6 anos. É muito bom saber que não estamos sozinhos neste sofrimento. É um problema em comum, com que tem dificuldades em transmitir vida. O mais revoltante é quando não nos dizem qual é o nosso problema. Compreendemos a revolta, a indignação. Nós infelizmente somos um casal que não temos recursos e temos que nos restringir ao serviço público… Força para este casal e para todos os que sofrem como nós. Infelizmente estamos num país que não olha para esta problemática.

3) Estamos nesta luta há 3 anos. É uma caminhada que não é fácil, mas é nossa… Às vezes, eu e o meu marido pensamos que esta luta vai terminar com uma grande vitória, ou com a procura de uma alternativa que nem sempre é fácil decidir. Obrigada a este casal. Gostei muito do vosso testemunho. Enquanto casal, achamos que deveria haver mais associações que se dediquem ao problema da infertilidade, pois existem associações para “quase tudo” e para esta problemática só existe associação em Lisboa. Este é também um problema a que o estado deveria estar atento e não temos apoio.

 4) Queria deixar aqui o meu testemunho. Às vezes penso que este problema é só meu. Dou por mim a pensar ou a tentar pensar com serenidade. Pelo menos, é o que toda a gente diz e eu estou farta de ouvir “não te preocupes”, “qualquer dia consegues”, “tens que ter paciência”, “vai chegar a tua vez”. As pessoas por vezes não entendem que estou farta de ouvir sempre as mesmas frases. Foi bom para mim ler este testemunho para saber que alguém estende este sofrimento. Por vezes, sinto até raiva e revolta, e tenho que me calar e sofrer com isso. Foi muito bom ter lido o vosso testemunho. Força para vocês e para todos os casais que vivem esta dor.

5) Parabéns a este casal pela sua força e união numa situação tão ingrata e tão difícil. Pretendo, com a minha opinião, dar-lhes força e dizer que eles, ao contrário de nós, ainda têm esperança. No meu caso, decidi ser mãe com 35 anos, mas apercebi-me que não conseguia engravidar. Tinha tido um enfarte e, por isso, aconselharam-me a emagrecer. Assim, fui obrigada a perder quase 20 Kg. Feitos todos esses sacrifícios, os testes continuaram a ser negativos. Após consultas intensivas na Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, foi-me diagnosticado “ovários preguiçosos”, mas sem problema. O médico desse-me na altura que com estimulação “iria ter um bebé num instante”. Mas o cardiologista tinha uma palavra a dizer por causa dos meus problemas anteriores. Infelizmente, a opinião do cardiologista foi diferente. Sentença: “Nem pensar… o seu coração não aguenta o tratamento… Deixa de tomar a pílula, como estava a fazer, e se engravidar, cá estaremos para ver se pode ir avante.” Durante 8 anos foi a luta e a espera daquele atraso que não fosse fruto da preguiça dos ovários. Nunca veio. Aos 45 anos, o atraso durou mais de seis meses. Sentença: Menopausa precoce. A esperança foi de vez! O amor que se tem para dar, vai ter que se partilhar com o nosso parceiro e a resposta para os outros “não chatearem mais” é sempre “nós não queremos ter filhos…” A mentira do costume que dói muito a dizer. Para este casal desejo que sintam que a vossa luta vai ter um fruto, não desistam. Vocês têm todas as hipóteses do mundo. FELICIDADES.

 6) Quando leio qualquer testemunho sobre infertilidade fico sempre muito emocionada e não consigo deixar de sofrer. É um percurso longo e desgastante psicologicamente. Nunca fiz FIV. Não tenho condições económicas, mas ao ler este testemunho deparei-me que é um processo desgastante e de “espera”… Pensamos que devíamos ser muitos mais casais a mostrar descontentamento, para termos mais visibilidade, para lutarmos por melhores condições e mais ajudas. Eu e o meu marido vamos continuar nesta luta. O importante para estarmos bem na vida é saber procurar outras alternativas, e termos alguém ao nosso lado, o nosso companheiro… Obrigada a este casal. Não devemos desistir.

 7) Gostaríamos de partilhar. Estamos nesta luta há 8 anos … Hoje tenho 38 anos e o meu marido 42 anos, não tínhamos esperança. Neste momento consegui engravidar e estou de 14 semanas. Tivemos muitos momentos difíceis de superar, mas não desistimos. Ainda hoje quase que não acreditamos. Este primeiro tempo está a ser de grande angústia… mas penso que vamos consegui. Não desistam!

8) A infertilidade é muito difícil de enfrentar e encontrar uma solução. É difícil ver o tempo a passar, dias, meses e anos e não encontramos a solução, apenas sentimentos de culpa. É assim que tenho vindo a sentir-me ao longo destes anos, a culpabilizar-me, e é algo que nos destrói. Tenho a dizer a este casal que não vale a pena pensar no que “poderíamos ter feito”. O pensamento deve estar sempre centrado no presente e há que olhar para a frente. Para este casal em especial, e todos os outros, força e coragem.

9) Todos os casais devem ser otimistas, mas sem cair na utopia. Há que permanecer na realidade, por muito que ela custe. É importante definir um plano, encontrar novas soluções e estabelecer um limite de tempo para o tratamento.

10) O nosso testemunho. Vou escrever aquilo que nunca gostei de ouvir. “ Precisa é de férias…”, “Então porque é que não adotas?”, “Há muitas crianças a precisar de famílias”, “Não penses sempre no mesmo, relaxa e vai acontecer…”. Estas e outras foram as frases que ouvi e que me irritavam profundamente. Tinha que ficar calada, mais magoada, não conseguia verbalizar.

 Mesmo assim tive pessoas que tiveram a capacidade de escutar e compreender. Pedi ajuda a um profissional que me ajudou. Hoje estou grávida de 4 meses. Fizemos 7 tratamentos, dos menos aos mais complexos, e culminou com uma fertilização in vitro. Não foi uma decisão fácil para nós, não está a ser uma gravidez fácil, o medo continua… Só vou estar tranquila quando tiver o meu filho nos braços… Obrigado!

Agradeço a todos estes casais pelos seus testemunhos e comentários.

A todos eles, o nosso muito obrigado! Dra. Sílvia Pereira enquanto diretora clínica da equipa do IPSY’s – Instituto de Psicologia e Neuropsicologia de Leiria, 2014.

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Sílvia Pereira

Sílvia Pereira, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e Especialista em avaliação psicológica, com um percurso marcado por décadas de prática clínica, investigação e formação contínua, a nível nacional e internacional.

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